A logosofia ensina que é necessário despir-se da personalidade, uma vez que esta é uma representação em que o ser se propõe atuar enganando a si mesmo.
É como uma parede caiada (pintada de cal) cuja aparência momentânea esconde as falhas próprias, porém, as rachaduras e trincas estão ali presentes.
A maioria de nós propositalmente veste as máscaras da personalidade em situações específicas. Diante de algumas pessoas nos comportamos de uma maneira, e diante de outras já mudamos radicalmente o comportamento. Essa tendência de agradar aos outros, de fingir ser quem realmente não se é, para os mais diversos propósitos, torna o ser desprovido de sua própria identidade, pois de tanto mudar de papéis acaba esquecendo a realidade do seu próprio existir - perdido entre as muitas atuações que adota na vida diária.
E assim a realidade do que se é fica mascarada.
Penso que ao agradar a todos se torna impossível agradar a si mesmo, devido à constante mudança e alterações comportamentais que requerem muita energia.
Muitas vezes sozinho conosco mesmos pressentimos a pobreza de espírito e tantas falhas enraizadas que desfiguram a perfeição do ser. Então se busca tantas ocupações, meras distrações para fugir de si mesmo, vivendo no círculo vicioso do engano e da mentira.
Ao se tornar autêntico, também corremos o risco de manifestar claramente nossas falhas, porém, tal circunstância permite agir no sentido de corrigi-las, quer seja por consequencia da situação vergonhosa com que nos colocamos, ou, até mesmo pela indicação daqueles que nos cercam.
A realidade do que realmente somos pode em um primeiro momento nos assustar, porém, viver sob o signo da aparência caiada, ao final, causará a ruína de toda nossa existência.
Muitas pessoas não mostram quem realmente são, pois já incorporaram de tal forma a máscara da personalidade que lhes é impossível despir-se do engano em que vivem.
Cabe a cada um despir-se da máscara do erro e do engano.
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