Para ser o que não se é devemos principiar deixando de ser o que somos. O estado atual é diferente do estado pretendido, sendo que entre ambos existe a necessidade de se praticar comportamentos com vistas àquele fim. O milagre da transformação de nós mesmos não provém de fora mas do nosso íntimo. Ora, se o inesperado é algo que faz parte dos relacionamentos externos, quanto mais o interno. O bem que queremos fazer não conseguimos mas o mal estamos sempre praticando. É preciso combater essas atitudes súbitas que distorcem a grandeza do nosso caráter. A inteligência é um processo pelo qual selecionamos comportamentos e posturas para atingir o bem, e para o melhor de nós mesmos, do contrário de inteligência não se trata. A eficácia e riqueza de nossas decisões guardam estreita relação com a atenção (observação constante dos pensamentos e atitudes) e seleção da conduta acertada. Por fim, nunca devemos esquecer da atuação das emoções que na maioria das vezes é impossível combater, raramente se bloqueia emoções, porém, seguramente é possível atenuar e em alguns casos eliminar seus efeitos prejudiciais.
As anotações aqui levadas a efeito se baseiam principalmente nos ensinamentos logosóficos, bem como nos demais estudos, observações, percepções e comprovações práticas na minha própria vida.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
A leitura reflexiva
Nos dias de hoje a leitura reflexiva não tem sido uma prática comum. Muitas vezes basta ler somente para tomar conhecimento de certos fatos, porém, não se vai além disso, pelo que fica atrofiada a capacidade crítica. O mistério e a evidência não são percepções fáceis. O erro comum da leitura é a pratica de manter a atenção voltada para múltiplos assuntos, e em estados mentais diversos. E assim a dispersão impera, prejudicado a compreensão e reflexão aprofundada. Muitas vezes me pego lendo páginas e páginas sem que, ao terminar, a mais remota recordação de seu conteúdo permaneça. Ora, tal ocorre, penso eu, pelo fato de que nesses momentos esta ausente a razão, que é a controladora de entrada de pensamentos lidos. A consequência não pode ser outra - o escrito torna letra morta para o espirito que nele não penetra para desvendar seus mistérios.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Ver Deus
Há uma passagem bíblica onde Moisés pede para ver Deus. Ocorreu que Moisés somente poderia ver Deus pelas costas. Mas o que significa ver Deus pelas costas? Penso que a experiência do encontro com o Criador só é possível a espíritos mais fortalecidos e avançados nos assuntos transcendentais. A visão de Deus pelas costas se dá no contemplar sua atuação na vida humana, sendo esta atuação justa e imparcial. As leis universais dão contornos das particularidades do Criador, são elas: a lei da causa e efeito; a lei do afeto; a lei dos câmbios, etc. Todas essas leis manifestam uma atuação inafastável de Deus na vida humana e no universo - é como se víssemos Deus através de suas obras perfeitas. Não seria possível ver Deus face a face sem um espírito fortalecido, pois a tendência seria imaginá-lo conforme a própria perspectiva, nesse caso Deus assumiria uma infinidade de formas, quando na verdade Ele é único. Há uma tendência individual em retratar Deus conforme nossa própria imagem e semelhança, ou ainda, o que é pior, conforme certas crenças religiosas decorrentes de interpretações pessoais que não encontram fundamento nas leis universais. O certo é que tanto para o justo quanto para o injusto, para o bom ou para o mal, todo homem não pode fugir dos traços marcantes do agir de Deus. Ver Deus é um privilégio que cabe a poucos. E não se trata simplesmente de instrução cultural, mas de instrução espiritual, de consciência e comunhão com o divino, circunstâncias que mesmo um analfabeto é capaz de alcançar. Se todos os livros do mundo desaparecessem e todo o conhecimento acumulado fosse apagado da memória dos homens bastaria a observação, sensatez, bom senso e comunhão com o divino para que não só os mesmos conhecimentos fossem readiquiridos mas também infinitos outros de maior valor agregados. O espírito humano requer muita reflexão decorrente do esforço mental de superação. É necessário um caminho árduo de preparação e consolidação do conhecimento que faz transcender para verdade eternas e sublimes, porém, poucos são os que tem inquietudes e força de vontade suficiente para empreender tal jornada. E mesmo assim Deus continua passando incessantemente pelas vidas humanas, embora a grande maioria não consiga vê-lo pelas costas, pois se o fizessem contemplariam a beleza da vida e penetraria nos mistérios do espírito.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Mesmo as boas intenções podem ser prejudiciais
Após esse período de silêncio volto a discorrer sobre temas que importunam meu espírito, no final das contas surgem cada vez mais altas indagações que transcendem o comum. Mas disso tudo já resta uma certa "esperança" de que estou no caminho certo visando fortalecer o espírito e eliminar as fraquezas. Tenho pensado na carência de pessoas para discutir certas inquietudes, gostaria de partilhar com tantas outras tantas investigações e conclusões, porém, já percebi que alguns conhecimentos estão reservados a espíritos mais apurados no trato com as coisas transcendentais. É que certos temas carecem antes da manifestação de inquietudes natas na individualidade. Penso assim pelo fato de que alguns conhecimentos quando penetram em mentes e corações despreparados tem o efeito de uma bomba atômica, levantando um cogumelo enorme de exultação que aos poucos vai se desfazendo, e o conhecimento que antes era valioso acaba se tornando banal por inexistir uma base sólida que o sustêm. Penso que isso explica as citações e pensamentos decorados e recitados por tantas pessoas como "mantras". A verdade é que a chama da inteligência se não tiver origem na experiência e no estudo tende a ir se apagando, até reinar novamente as trevas da ignorância. A vivência possibilita a comprovação. Experiência não se transmite, apenas se adquire com o tempo. A humanidade tem acumulado uma quantidade enorme de conhecimentos que foram lançados em espíritos despreparados cujo resultado se concretizou em algo não natural e espontâneo do ser, mas mera "cópia" e utilização indevida da verdade antes descoberta aos olhos da ignorância. Penso que os avanços e retrocessos da humanidade acontecem por conta dessa superficialidade e despreparo dos seres no contato com verdades transcendentais. A biblia já menciona "não jogueis pérolas aos porcos" e isso é uma verdade e realidade que começa a se descortinar à minha inteligência. Não é possível compartilhar pensamentos elevados com mentes mesquinhas e despreparadas. Antes de tudo é necessário uma preparação prévia que decorra da própria necessidade individual de buscar respostas a suas inquietudes. A verdade, assim como a justiça, o bom senso, etc, são bens preciosos que poucos conseguem alcançar e manter atuantes em seus espíritos.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Para reflexão.
-
Se
Se, ao final desta existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia…
Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas…
Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser…
Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo…
Se algum ressentimento,
Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,
E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou…
Se continuar a mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio…
Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu…
Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia…
Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende…
Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim…
Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiros e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito…
Se, imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz…
Se, ainda presa do grande embuste,
Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou…
Se, ao fim de meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos,
Os talentos que a Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.
Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a Meta. - fonte: http://www.profhermogenes.com.br/site/?p=32
sábado, 27 de junho de 2009
Técnicas para enfrentar as deficiências
Para identificar as deficiências não há outro caminho senão se submeter a um detido exame pessoal. E nesse trabalho de identificar em nós as deficiências necessário se faz caminhar para dentro. O caminhar para dentro de si mesmo tem a finalidade de lançar luzes nos mais recôndidos porões da mente, que a tudo guia e determina.
O embate inevitável diz respeito a colocar à prova a capacidade mental de tomar as rédeas dos pensamentos, sentimentos e da vontade, vigiando constantemente as suas manifestações e sutilezas.
A meta é atingir com precisão uma exata identificação das deficiências, suas formas e sutilezas com que atuam, o que só é possível mediante muita observação e estudo sobre as mesmas.
Assim, uma vez identificadas é necessário a extirpação gradual das deficiências, no intuito de suplantá-las com oportunos e constantes reajustes. Mas não se deve jamais parar por aí, sob pena de incorrer no fracasso. É necessário manter firmeza inabalável e resolução contínua - pois se está a construir uma nova vida, mais plena, mais feliz.
A plenitude da vida consiste em estar consciente a todo momento das atividades orgânicas, sensível, mental e da própria vontade.
Mas uma grande verdade é que na jornada da vida nem sempre é possível se guiar sozinho, pois em certos momentos os conselhos de outros e o auxílio dos demais são indispensáveis para dar passos seguros, tomando decisão acertadas.
É necessário, ainda, ser realista a ponto de entender que o caminho que vai dar ao interior de nós mesmos não é fácil ser percorrido. Tal empreitada requer muita bravura, coragem e humildade.
Não se pode ignorar que o ser humano se forma e solidifica suas idéias em contato com os demais. Porém, a reclusão periódica à vida privada é uma necessidade de todo homem, para sua própria saúde mental.
A tranquilidade mental e emocional resta evidente, desde que se possa conseguir ,na privacidade, a forma correta de auto-avaliação e auto-aperfeiçoamento, tudo sem perder a mira do objetivo maior de traçar planos e metas para um futuro melhor.
O embate inevitável diz respeito a colocar à prova a capacidade mental de tomar as rédeas dos pensamentos, sentimentos e da vontade, vigiando constantemente as suas manifestações e sutilezas.
A meta é atingir com precisão uma exata identificação das deficiências, suas formas e sutilezas com que atuam, o que só é possível mediante muita observação e estudo sobre as mesmas.
Assim, uma vez identificadas é necessário a extirpação gradual das deficiências, no intuito de suplantá-las com oportunos e constantes reajustes. Mas não se deve jamais parar por aí, sob pena de incorrer no fracasso. É necessário manter firmeza inabalável e resolução contínua - pois se está a construir uma nova vida, mais plena, mais feliz.
A plenitude da vida consiste em estar consciente a todo momento das atividades orgânicas, sensível, mental e da própria vontade.
Mas uma grande verdade é que na jornada da vida nem sempre é possível se guiar sozinho, pois em certos momentos os conselhos de outros e o auxílio dos demais são indispensáveis para dar passos seguros, tomando decisão acertadas.
É necessário, ainda, ser realista a ponto de entender que o caminho que vai dar ao interior de nós mesmos não é fácil ser percorrido. Tal empreitada requer muita bravura, coragem e humildade.
Não se pode ignorar que o ser humano se forma e solidifica suas idéias em contato com os demais. Porém, a reclusão periódica à vida privada é uma necessidade de todo homem, para sua própria saúde mental.
A tranquilidade mental e emocional resta evidente, desde que se possa conseguir ,na privacidade, a forma correta de auto-avaliação e auto-aperfeiçoamento, tudo sem perder a mira do objetivo maior de traçar planos e metas para um futuro melhor.
sábado, 31 de janeiro de 2009
Para ser melhor.
"Es el trabajo asiduo, la observación aguda y constante y la aplicación práctica del conocimiento, lo que permite el ejercicio consciente del sistema mental, favoreciendo y agilizando los movimientos internos según sean las necesidades lógicas provocadas por las exigencias de la evolución, dirigida ya por quien se haya iniciado en as excelencias de ese arte." Colleción de la revista logosófica número 3, pág. 24
Antes de tudo quero dizer que estou resistindo a vontade de escrever diariamente, pois pretendo melhor refinar, estudar, praticar e comprovar a utilidade dos ensinamentos logosóficos na minha vida. É melhor fazer menos, porém, com uma qualidade melhor, do que fazer muito sem muito proveito eficiente e prático no desenvolvimento individual.
O avanço do conhecimento científico/tecnológico tem contribuído de forma inimaginável para a melhoria da qualidade de vida do homem, daí já podemos vislumbrar o passo gigantesco que é possível dar nos planos superiores em que atua o espírito, cuja jornada de evoluir conscientemente resultará na superação de todos obstáculos que impedem a plena realização humana.
É preciso e urgente que o espírito reine, equilibradamente, sobre os atos da vida, de tal forma que a própria eternidade se abre para nós, nos dando a oportunidade de conquistar tudo o que de máximo o ser humano pode alcançar.
Não há solução coletiva para o bem estar da humanidade. Dito isso é preciso apontar qual o caminho a ser percorrido, portanto, eu penso que cada ser tem a responsabilidade de buscar acesso a soluções individuais, de modo que assim, progressivamente e conscientemente, o coletivo será abarcado totalmente, beneficiando a todos indistintamente.
Mas sejamos realistas e principalmente práticos, pois ciente dos benefícios da evolução individual consciente é preciso nos perguntarmos o seguinte: até que ponto estamos comprometidos com os novos conhecimentos que se vai descortinando aos nossos conhecimentos?
A base firme e sólida do conhecimento só pode ser atinjida, em sua essência, pela vivência comprobatória em cada instante de nossas vidas.
O conhecimento não pode jamais ficar no plano ilustrativo, apenas no campo das idéias, ou somente como grandes aspirações, sob pena de sua total inutilidade. Estou convencido de que não posto em prática pouquísimo ou nada irá contribuir para o definitivo progresso individual e coletivo da humanidade.
Não é possível atinjir planos superiores da evolução consciente apenas pelo intercâmbio de idéias e compreensões, mas sim pelo empenho individual, sem precedentes na vida, buscando a essência das verdades universais pela prática e convicção profunda dos conhecimentos logosóficos. (texto baseado em palestras e estudos logosóficos individuais)
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
A veemência
A veemência se manifesta quando atitudes irrefletidas prevalecem sobre a lucidez e racionalidade, contrariando até mesmo o bom senso.
No meu caso, na maioria das vezes, o que desencadeia tal deficiência é a impulsividade, motivo pelo qual, nesses momentos vergonhosos, não tenho o domínio de mim mesmo e quando vou refletir mais calmamente é que percebo o erro do meu procedimento.
Notei também que sempre fica prejudicada a troca de experiências, já que agindo pelo impulso dou passos no sentido de uma confrontação, de oposição, enveredando para discussões inúteis que nada acrescentam a mim, tornando nulo o meu desenvolvimento e aperfeiçoamento.
É uma deficiência sutil, já que aparentemente nos dá a satisfação de ter vencido o embate (no grito, como dizem), porém, a verdade incontestável, investigada a fundo, põe a descoberto o arrebatamento instável.
O veemente, por agir inconsciente de sua deficiência, se vê convencido que é o detentor da razão, violando sua própria consciência e sua integridade.
Os meios e mecanismos utilizados para alimentar a veemência são os mais diverso, no meu caso, já identifiquei claramente alguns, que são: a teimosia (impor idéias e opiniões por insistência); falta de moderação e bom senso (donde o ser se agarra a qualquer argumento, por mais absurdo que seja, para levar ao extremo a defesa do seu ponto de vista); superestimação do ego (achar sempre que é "o tal" dono da razão-quando a razão lhe falta),etc
Vencer essa deficiência é tarefa que não se cumpre antes da clara identificação dos mecanismos e estratagemas que reiteradamente a sustentam.
É preciso fazer uso constante da serenidade, autocontrole, uso da razão, paciência, tolerância, enfim, pensar antes de agir precipitadamente, estar plenamente ciente e consciente de cada instante da minha vida, no pleno domínio e controle de mim mesmo.
A persistência e vigilância no combate de tal deficiência faz surgir novas formas e virtudes de aperfeiçoamento. Uma das virtudes é uma compreensão e maior tolerância para com o próximo, abrindo caminho para o diálogo franco e sincero, em busca de uma convergência de idéias e atitudes que possam beneficiar ambos envolvidos. De tal forma que se torna desnecessário impor qualquer tipo de pensamento, idéia ou conceito, pois cada qual acaba por fazer suas próprias escolhas, para o bem ou para o mal.
Disso se verifica que a prevalência dessa deficiência é tarefa prejudicial ao bom convívio, e, principalmente a si mesmo, já que o falto de razão e esclarecimnto nada tem a perder agindo com sua ignorância e estupidez.
A maior virtude que pode ser adquirida no combate da veemência é a tolerância, no meu ponto de vista, pois passo a reconhecer a ampla liberdade de cada um, já que todos tem o direito de ser, pensar, expressar e atuar livremente como bem entender, sem que a isso lhe seja imposto qualquer pensamento, idéia ou conceito de algo.
Mas não se pode ignorar que são pelos pensamentos, idéias e condutas que as pessoas de bem atraem umas as outras, pelo exemplo incontestável de sua própria vida.
É trabalhosa e incansável essa luta contra nossas falhas, por isso poucos se dispoem a tal empreitada, mas o gratificante de tudo se apresenta em nosso íntimo, sendo notado pelos que nos rodeiam, como uma fonte que jorra novas perspectivas e estímulos para uma vida melhor.
E assim vamos moldando essa nova criatura humana que nos tornamos, possibilitando com nossos pensamentos e ações mudar as pessoas e o mundo, no mais acertado intercâmbio com a família, os amigos, no trabalho e onde quer que possamos ir, sempre carregando em nós essa vontade de ser melhor. Tudo isso para o nosso próprio bem e para o bem dos demais, construindo um mundo melhor.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
A falta de vontade.
A falta de vontade é um estado de entorpecimento mental que impossibilita o uso da razão e da reflexão, portanto, impede o uso do pensamento.
Eu visualizo a vontade como o “motor de partida” que faz girar as engrenagens da inteligência para um determinado fim. De modo que a inércia desse “motor de partida” faz imperar o estado letárgico de apatia, de prostação moral, etc., dando azo a que outras deficiências proliferem, tais como: a indisciplina, a inconstância, negligência, a propensão ao fácil, ao descuido, a confiar no acaso, tornando o ser um fantoche desprovido de ação própria, encarcerado que fica, pelo que até sua liberdade deixa de existir, pois já não mais vislumbra outras opções e escolhas diante da vida.
Os exemplos práticos se manifestam nas mais variadas formas, desde aquela “preguiça” no momento em que acordamos (certos dias faltam vontade até pra levantar da cama) até o repousar (eu me pergunto quantos tem preguiça de escovar os dentes para dormir), e outras situações que cabe a cada um observar e combater com firmeza e constância. Isso não é vontade de não fazer nada, muito pelo contrário, é falta de vontade mesmo.
Mas como combater essa falta de vontade? Os meus estudos logosóficos e afins apontam para o fato de que é preciso estar atento, nas palavras do grande Fernando Pessoa “...põe quanto és no mínimo que fazes..”, e ter plena consciência de que há dois fatores que desencadeiam a vontade, são eles – a necessidade e o estímulo.
A logosofia nos ensina que a necessidade é um impulso automático originário na urgência de se fazer algo, um reflexo inconsciente que põe a vontade em ação.
Ensina também que a força necessária para o ato de agir já se encontra dentro de nós, apenas lhe faltando a consciência disso, isso na linha de pensamento de que do nada logicamente nada pode surgir, portanto, não se trata da noção comum e corriqueira de que diante de certas circunstâncias tiramos forças de onde não temos, o certo é que tiramos forças insuspeitadamente alojadas em nosso íntimo.
Disso já é possível abstrair a necessidade de gerar em nós impulsos que façam girar as engrenagens e consequentemente vencer a inércia mental.
O estímulo, por sua vez, é o fator que, a meu ver, deve ser dado uma atenção especial, porque é ele quem mantém a chama da vontade acesa nas várias circunstâncias da vida.
Tal ocorre porque o estímulo não se apresenta como uma imposição da necessidade, mas sim uma satisfação para o ser. Imagino os estímulos como brasas sempre potenciais para combustão, cada vez que recebem o sopro da consciência ativa imediatamente fazem atuar a chama da vontade.
O ensinamento logosófico, que convém transcrever diz assim: “...temos de nos preparar para o longo percurso de nossa existência, abastecendo nossa vontade com estímulos capazes de satisfazer integralmente as necessidades da vida diária.”
Ainda em relação ao estímulo quero dizer que é preciso estar atento ao seu grau e valor, sob pena de o mesmo perder sua capacidade em orientar a vontade. Em outras palavras, quanto mais inestimável, duradouro e transcendental for o objetivo, maior deverá ser o refinamento do estímulo, pois só assim, conforme nos ensina a logosofia, haverá entusiasmo suficiente para manter a chama da vontade acesa.
Eu constatei que na prática é importante também confrontar a falta de vontade (preguiça tornada hábito) com uma decisão férrea e inflexível, ou seja, decidir agir e agir sem mais delongas. Essa confrontação dever ser amparada por uma resolução firme, inabalável e constante, ao mesmo tempo enérgica e irredutível, sem protelações, como um atleta de curta distância que se lança com todas as suas forças em busca da sua meta.
Essa decisão precisa ter origem dentro de nós mesmos, em nosso íntimo, porque na prática eu constatei que ela se torna mais efetiva. Estou dizendo isso porque iniciei sem a plena consciência que o ato requer, mas com os benefícios que eu colhi a importância e utilidade de tal conhecimento se tornou evidentes.
Se em alguma coisa minha experiência pode ser útil a alguém é no sentido de que o agir decididamente, mesmo que sem plena consciência no ínicio, não pode se sujeitar a muitas protelações, pois com os resultados nos tornamos mais conscientes da importância do método.
E para finalizar, convém citar Friedrich Shiller, escritor alemão, que disse: “é a vontade que faz o homem grande ou pequeno”.
Pensem nisso, e considerem os ensinamentos logosóficos no sentido de que se faz urgente sobrepor o empenho à apatia até triunfar no forcejo psicológico do aperfeiçoamento.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
É preciso agir.
"A grande finalidade da vida não é o conhecimento, mas ação". Thomas Huxley.
Embora exista uma infinidade de livros tratando dos mais variados temas do conhecimento humano, poucos são os que conseguem lançar luzes em seu próprio espírito de maneira a mudar seu destino.
O tempo, bem dos mais preciosos que disposmos, raramente é utilizado para o melhoramento individual. Isso ocorre, penso eu, dentre inúmeras outras circunstâncias, principalmente, pela carência individual de noções básicas sobre as potencialidades do ser. Aliás, alguém já disse que: "Se você aproveitar o tempo para melhorar o tempo aproveitará você para fazer maravilhas".
Eu penso que somente através do conhecimento de si mesmo, das infinitas potencialidades encerradas em nosso íntimo, é que podemos subir ao mais alto degrau de nós mesmos, alcançando a sabedoria.
Mas é preciso estar atento para o fato de que o conhecimento, por si só, encerrado na mente humana, se não levado ao campo da experimentação, pouco significa para o aperfeiçoamento individual.
A essência do que vemos, ouvimos e sentimos só pode ser captada nas experiências reais do vivido, pelo que as idéias, hipóteses e conceitos de que se ocupam os livros encerram apenas uma tentativa de abarcar o todo - que somente o espírito é capaz.
O espírito humano, ciente de suas potencialidades, ao colocar em prática o conhecimento possibilita criar novas aptidões que vão se aperfeiçoando numa espiral infinita, em constante movimento, cuja meta de perfeição se torna cada vez mais atingível.
As aptidões superiores somente cumprem a sua máxima efetividade se forem colocadas à provação experimental do viver. Nesse ponto, a ciência logosófica orienta que nenhum ensinamento logosófico deve ser admitido como verdadeiro e correto antes de ser experimentado e comprovado na vida de cada um de nós que almejamos evoluir conscientemente.
Evoluir conscientemente, a meu ver, compreende mergulhar em nós mesmos, estudar a própria configuração, entender como se dá as manifestações dos pensamentos, sentimentos e aspirações do espírito, para, em seguida, praticar o refinamento e aperfeiçoamento das aptidões e potencialidades, em mira a perfeição.
A verdadeira ciência que edifica o homem é aquela que orienta nos momentos distintos da obtenção do conhecimento, da prática experimental de suas afirmações, e, da abstração das verdades essenciais e universais para o desenvolvimento humano.
Por fim, quero registrar que os grandes homens que a humanidade teve o privilégio de conhecer não só transmitiram novos conhecimentos, mas, principalmente, vivenciaram as grandes verdades que anunciaram, inclusive, deram sua vidas por tais verdades, tudo para o benefício de nosso aperfeiçoamento.
domingo, 4 de janeiro de 2009
A identificação das deficiências e propensões
Inicio essas breves anotações, após detida reflexão sobre o tema, com a afirmação de que identificar as próprias deficiências não é tarefa fácil, requer muita coragem, ânimo, disposição e humildade.
Após uma breve leitura na obra _ Deficiências e Propensões do Ser Humano_ de autoria do Maestro Carlos Bernardo González Pecotche, Editora Logosófica, me dei conta de que é necessário estar atento à falsa modéstia quando se afirma possuir, sem maiores reflexões, certa deficiência ou propensão que de fato, sob análise mais detida, não existe em nós.
Deficiência, pelo que pude entender, é um pensamento negativo dominante que agindo de forma totalmente prejudicial a nossas maiores aspirações exerce pressão tamanha em nossa vontade que nos torna escravos desse modo errôneo de pensar.
O pensamento-deficiência se manifesta de várias formas, dentre elas: rancor-rancoroso; teima-teimoso; presunção-presunçoso; mentira-mentiroso; hipocrisia-hipócrita; vaidoso; intrometido; néscio, etc.
Propensão, por sua vez, é um pensamento que atua alimentando a tendência negativa gerada pela deficiência, impedindo as ações refletidas, fruto da razão, da observação, do sentir. A propensão afasta o juízo e incita ações inconscientes.
Somente um exame atento e meticuloso de nós mesmos é que pode identificar as deficiências e propensos que padecemos.
Nesse ponto eu penso que se o desconhecimento de uma deficiência ou propensão é uma falha caracterológica, também o é a irrefletida admissão de uma deficiência ou propensão inexistente.
A meu ver essa falsa “humildade” não tem outro objetivo senão furtar-se ao dever do auto-exame, da necessidade impostergável de conhecer a si mesmo, consequentemente um engano não dos outros, mas de nós mesmos.
Eu confesso que fiquei tentado, lendo a mencionada obra, em logo admitir de uma vez a maioria das deficiências e propensões ali descritas, pois tal atitude no primeiro momento se apresentou como caminho mais fácil a percorrer, porém, após uma reflexão mais profunda me convenci de que no tema deficiências e propensões o caminho a se percorrer é lento e árduo, ou seja, a laboriosa tarefa do auto-exame, estudo e prática dos conhecimentos que se vai adquirindo não pode ser corrompida com uma admissão irrefletida da falha que não há em mim.
Melhor dizendo, a identificação errônea de uma deficiência ou propensão já são em si mesmas uma flagrante deficiência.
A responsabilidade do ser é tamanha que, nas palavras do Maestro, se não houver um exame profundo e detalhado em seu íntimo, o homem pode defraudar a si mesmo.
É preciso colocar em ordem a mente, através de uma rigorosa seleção de pensamentos que frequentam a mesma, com a finalidade de exercer plena domínio dos pensamentos, e, pleno domínio da vontade.
É preciso adotar uma paciência inteligente como atitude mental, para que a falta de vontade não prejudique a evolução. Aliás, minha próxima postagem será justamente sobre a falta de vontade. Então, até a próxima.
sábado, 3 de janeiro de 2009
O homem; as viagens
O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.
Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto — é isto?
idem
idem
idem.
O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
do solar a col-onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.
Carlos Drummond de Andrade.
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.
Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto — é isto?
idem
idem
idem.
O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
do solar a col-onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.
Carlos Drummond de Andrade.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
“Quem sabe o que pode leva considerável vantagem sobre aquele que desconhece seus recursos” Raumsol
Na palestra "A linguagem do Criador" o Maestro ensina que o ser humano, essencialmente, pode ser visto em dois aspectos nítidos - os evolutivos e os estacionários. Os que caminham para o esplendor da inteligência são evolutivos, pessoas que assumem a responsabilidade pela construção da felicidade dos dias futuros. Há também os que fecham as portas da própria inteligência e impedem as manifestações das suas potencialidades, esses são os estacionários.
A evolução do homem se dá naturalmente, pois a partir do nascimento já se manifesta a percepção de que é necessário superar as deficiências de enxergar, ouvir, compreender, discernir, falar, caminhar, pensar, etc. E assim a realidade do mundo e da vida individual vai se descortinando aos nossos olhos, nossa sensibilidade e nossa inteligência, pelo que passamos a experimentar os sucessos e fracassos de nossas aspirações em evoluir, ficando plasmado em nossa mente os fatos, representados por sons, imagens e palavras que contribuem direta ou indiretamente para moldar os nossos destinos.
Eu penso que a maior demonstração de gratidão que podemos dedicar ao Criador é manter em perfeita harmonia e equilibrío nossa capacidade física, mental e espiritual, já que o desequilíbrio que causamos a nós mesmos contraria a perfeição da criatura que somos, gerando sérias alterações no ritmo normal da vida. Tais alterações ocorrem no plano físico (doenças, vícios, etc.), no plano mental (viver na ignorância), e no espiritual (ausência de conhecimentos que transcendem ao comum e ordinário da vida).
É necessário, portanto, seguir o caminho natural que conduz à perfeição, através do esforço diário e ininterrupto rumo ao Criador, honrando o privilégio de termos sido criados a Sua imagem e semelhança.
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