A veemência se manifesta quando atitudes irrefletidas prevalecem sobre a lucidez e racionalidade, contrariando até mesmo o bom senso.
No meu caso, na maioria das vezes, o que desencadeia tal deficiência é a impulsividade, motivo pelo qual, nesses momentos vergonhosos, não tenho o domínio de mim mesmo e quando vou refletir mais calmamente é que percebo o erro do meu procedimento.
Notei também que sempre fica prejudicada a troca de experiências, já que agindo pelo impulso dou passos no sentido de uma confrontação, de oposição, enveredando para discussões inúteis que nada acrescentam a mim, tornando nulo o meu desenvolvimento e aperfeiçoamento.
É uma deficiência sutil, já que aparentemente nos dá a satisfação de ter vencido o embate (no grito, como dizem), porém, a verdade incontestável, investigada a fundo, põe a descoberto o arrebatamento instável.
O veemente, por agir inconsciente de sua deficiência, se vê convencido que é o detentor da razão, violando sua própria consciência e sua integridade.
Os meios e mecanismos utilizados para alimentar a veemência são os mais diverso, no meu caso, já identifiquei claramente alguns, que são: a teimosia (impor idéias e opiniões por insistência); falta de moderação e bom senso (donde o ser se agarra a qualquer argumento, por mais absurdo que seja, para levar ao extremo a defesa do seu ponto de vista); superestimação do ego (achar sempre que é "o tal" dono da razão-quando a razão lhe falta),etc
Vencer essa deficiência é tarefa que não se cumpre antes da clara identificação dos mecanismos e estratagemas que reiteradamente a sustentam.
É preciso fazer uso constante da serenidade, autocontrole, uso da razão, paciência, tolerância, enfim, pensar antes de agir precipitadamente, estar plenamente ciente e consciente de cada instante da minha vida, no pleno domínio e controle de mim mesmo.
A persistência e vigilância no combate de tal deficiência faz surgir novas formas e virtudes de aperfeiçoamento. Uma das virtudes é uma compreensão e maior tolerância para com o próximo, abrindo caminho para o diálogo franco e sincero, em busca de uma convergência de idéias e atitudes que possam beneficiar ambos envolvidos. De tal forma que se torna desnecessário impor qualquer tipo de pensamento, idéia ou conceito, pois cada qual acaba por fazer suas próprias escolhas, para o bem ou para o mal.
Disso se verifica que a prevalência dessa deficiência é tarefa prejudicial ao bom convívio, e, principalmente a si mesmo, já que o falto de razão e esclarecimnto nada tem a perder agindo com sua ignorância e estupidez.
A maior virtude que pode ser adquirida no combate da veemência é a tolerância, no meu ponto de vista, pois passo a reconhecer a ampla liberdade de cada um, já que todos tem o direito de ser, pensar, expressar e atuar livremente como bem entender, sem que a isso lhe seja imposto qualquer pensamento, idéia ou conceito de algo.
Mas não se pode ignorar que são pelos pensamentos, idéias e condutas que as pessoas de bem atraem umas as outras, pelo exemplo incontestável de sua própria vida.
É trabalhosa e incansável essa luta contra nossas falhas, por isso poucos se dispoem a tal empreitada, mas o gratificante de tudo se apresenta em nosso íntimo, sendo notado pelos que nos rodeiam, como uma fonte que jorra novas perspectivas e estímulos para uma vida melhor.
E assim vamos moldando essa nova criatura humana que nos tornamos, possibilitando com nossos pensamentos e ações mudar as pessoas e o mundo, no mais acertado intercâmbio com a família, os amigos, no trabalho e onde quer que possamos ir, sempre carregando em nós essa vontade de ser melhor. Tudo isso para o nosso próprio bem e para o bem dos demais, construindo um mundo melhor.
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