A falta de vontade é um estado de entorpecimento mental que impossibilita o uso da razão e da reflexão, portanto, impede o uso do pensamento.
Eu visualizo a vontade como o “motor de partida” que faz girar as engrenagens da inteligência para um determinado fim. De modo que a inércia desse “motor de partida” faz imperar o estado letárgico de apatia, de prostação moral, etc., dando azo a que outras deficiências proliferem, tais como: a indisciplina, a inconstância, negligência, a propensão ao fácil, ao descuido, a confiar no acaso, tornando o ser um fantoche desprovido de ação própria, encarcerado que fica, pelo que até sua liberdade deixa de existir, pois já não mais vislumbra outras opções e escolhas diante da vida.
Os exemplos práticos se manifestam nas mais variadas formas, desde aquela “preguiça” no momento em que acordamos (certos dias faltam vontade até pra levantar da cama) até o repousar (eu me pergunto quantos tem preguiça de escovar os dentes para dormir), e outras situações que cabe a cada um observar e combater com firmeza e constância. Isso não é vontade de não fazer nada, muito pelo contrário, é falta de vontade mesmo.
Mas como combater essa falta de vontade? Os meus estudos logosóficos e afins apontam para o fato de que é preciso estar atento, nas palavras do grande Fernando Pessoa “...põe quanto és no mínimo que fazes..”, e ter plena consciência de que há dois fatores que desencadeiam a vontade, são eles – a necessidade e o estímulo.
A logosofia nos ensina que a necessidade é um impulso automático originário na urgência de se fazer algo, um reflexo inconsciente que põe a vontade em ação.
Ensina também que a força necessária para o ato de agir já se encontra dentro de nós, apenas lhe faltando a consciência disso, isso na linha de pensamento de que do nada logicamente nada pode surgir, portanto, não se trata da noção comum e corriqueira de que diante de certas circunstâncias tiramos forças de onde não temos, o certo é que tiramos forças insuspeitadamente alojadas em nosso íntimo.
Disso já é possível abstrair a necessidade de gerar em nós impulsos que façam girar as engrenagens e consequentemente vencer a inércia mental.
O estímulo, por sua vez, é o fator que, a meu ver, deve ser dado uma atenção especial, porque é ele quem mantém a chama da vontade acesa nas várias circunstâncias da vida.
Tal ocorre porque o estímulo não se apresenta como uma imposição da necessidade, mas sim uma satisfação para o ser. Imagino os estímulos como brasas sempre potenciais para combustão, cada vez que recebem o sopro da consciência ativa imediatamente fazem atuar a chama da vontade.
O ensinamento logosófico, que convém transcrever diz assim: “...temos de nos preparar para o longo percurso de nossa existência, abastecendo nossa vontade com estímulos capazes de satisfazer integralmente as necessidades da vida diária.”
Ainda em relação ao estímulo quero dizer que é preciso estar atento ao seu grau e valor, sob pena de o mesmo perder sua capacidade em orientar a vontade. Em outras palavras, quanto mais inestimável, duradouro e transcendental for o objetivo, maior deverá ser o refinamento do estímulo, pois só assim, conforme nos ensina a logosofia, haverá entusiasmo suficiente para manter a chama da vontade acesa.
Eu constatei que na prática é importante também confrontar a falta de vontade (preguiça tornada hábito) com uma decisão férrea e inflexível, ou seja, decidir agir e agir sem mais delongas. Essa confrontação dever ser amparada por uma resolução firme, inabalável e constante, ao mesmo tempo enérgica e irredutível, sem protelações, como um atleta de curta distância que se lança com todas as suas forças em busca da sua meta.
Essa decisão precisa ter origem dentro de nós mesmos, em nosso íntimo, porque na prática eu constatei que ela se torna mais efetiva. Estou dizendo isso porque iniciei sem a plena consciência que o ato requer, mas com os benefícios que eu colhi a importância e utilidade de tal conhecimento se tornou evidentes.
Se em alguma coisa minha experiência pode ser útil a alguém é no sentido de que o agir decididamente, mesmo que sem plena consciência no ínicio, não pode se sujeitar a muitas protelações, pois com os resultados nos tornamos mais conscientes da importância do método.
E para finalizar, convém citar Friedrich Shiller, escritor alemão, que disse: “é a vontade que faz o homem grande ou pequeno”.
Pensem nisso, e considerem os ensinamentos logosóficos no sentido de que se faz urgente sobrepor o empenho à apatia até triunfar no forcejo psicológico do aperfeiçoamento.
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