Inicio essas breves anotações, após detida reflexão sobre o tema, com a afirmação de que identificar as próprias deficiências não é tarefa fácil, requer muita coragem, ânimo, disposição e humildade.
Após uma breve leitura na obra _ Deficiências e Propensões do Ser Humano_ de autoria do Maestro Carlos Bernardo González Pecotche, Editora Logosófica, me dei conta de que é necessário estar atento à falsa modéstia quando se afirma possuir, sem maiores reflexões, certa deficiência ou propensão que de fato, sob análise mais detida, não existe em nós.
Deficiência, pelo que pude entender, é um pensamento negativo dominante que agindo de forma totalmente prejudicial a nossas maiores aspirações exerce pressão tamanha em nossa vontade que nos torna escravos desse modo errôneo de pensar.
O pensamento-deficiência se manifesta de várias formas, dentre elas: rancor-rancoroso; teima-teimoso; presunção-presunçoso; mentira-mentiroso; hipocrisia-hipócrita; vaidoso; intrometido; néscio, etc.
Propensão, por sua vez, é um pensamento que atua alimentando a tendência negativa gerada pela deficiência, impedindo as ações refletidas, fruto da razão, da observação, do sentir. A propensão afasta o juízo e incita ações inconscientes.
Somente um exame atento e meticuloso de nós mesmos é que pode identificar as deficiências e propensos que padecemos.
Nesse ponto eu penso que se o desconhecimento de uma deficiência ou propensão é uma falha caracterológica, também o é a irrefletida admissão de uma deficiência ou propensão inexistente.
A meu ver essa falsa “humildade” não tem outro objetivo senão furtar-se ao dever do auto-exame, da necessidade impostergável de conhecer a si mesmo, consequentemente um engano não dos outros, mas de nós mesmos.
Eu confesso que fiquei tentado, lendo a mencionada obra, em logo admitir de uma vez a maioria das deficiências e propensões ali descritas, pois tal atitude no primeiro momento se apresentou como caminho mais fácil a percorrer, porém, após uma reflexão mais profunda me convenci de que no tema deficiências e propensões o caminho a se percorrer é lento e árduo, ou seja, a laboriosa tarefa do auto-exame, estudo e prática dos conhecimentos que se vai adquirindo não pode ser corrompida com uma admissão irrefletida da falha que não há em mim.
Melhor dizendo, a identificação errônea de uma deficiência ou propensão já são em si mesmas uma flagrante deficiência.
A responsabilidade do ser é tamanha que, nas palavras do Maestro, se não houver um exame profundo e detalhado em seu íntimo, o homem pode defraudar a si mesmo.
É preciso colocar em ordem a mente, através de uma rigorosa seleção de pensamentos que frequentam a mesma, com a finalidade de exercer plena domínio dos pensamentos, e, pleno domínio da vontade.
É preciso adotar uma paciência inteligente como atitude mental, para que a falta de vontade não prejudique a evolução. Aliás, minha próxima postagem será justamente sobre a falta de vontade. Então, até a próxima.
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